repetição de nomes na genealogia

Repetição de nomes na genealogia: como este padrão pode ajudar ou atrapalhar sua pesquisa?

Em Pesquisa, Registros Por Tati Marin2 Comments

A repetição de nomes na genealogia é um assunto que dá bastante pano pra manga. É inegável a existência de um padrão de nomeação dos filhos em grande parte das famílias que já pesquisei, minhas e de outras pessoas. Mas você sabia que existe uma regrinha não declarada que os antigos de diversas origens seguiam para nomear seus filhos?

Não era prática somente entre italianos, portugueses ou espanhóis, nem mesmo apenas dos que tinham fé cristã. Nórdicos (sim, os vikings) também rezavam pela mesma cartilha na hora de “batizar” seus filhos.

Eu já havia observado tal padrão de repetição e, em uma das disciplinas do curso Family History Research da BYU, as “cláusulas” dessa regra foram tema de uma aula. Em linhas gerais, antigamente os filhos eram nomeados dessa forma:

Para os homens:

  • O primeiro filho recebia o nome do avô paterno
  • O segundo filho recebia o nome do avô materno
  • O terceiro filho recebia o nome do pai
  • O quarto filho recebia o nome do tio paterno mais velho
  • E o quinto recebia o nome do segundo tio paterno mais velho ou do tio materno mais velho

Para as mulheres:

  • A primeira filha recebia o nome da avó materna
  • A segunda filha recebia o nome da avó paterna
  • A terceira filha recebia o nome da mãe
  • A quarta filha recebia o nome da tia materna mais velha
  • E a quinta recebia o nome da segunda tia materna mais velha ou da tia paterna mais velha

Há exceções e a ordem pode ser diferente. Por exemplo, não vi com tanta frequência nas famílias da minha árvore, os filhos receberem o nome do pai e, muito menos, as filhas receberem o nome da mãe.

Por que o padrão de repetição de nomes pode atrapalhar?

Quando você não tem muitas informações, uma porção de indivíduos com nomes semelhantes pode ser um problema. Considerando que todas as famílias do seu universo genealógico poderiam estar nomeando seus filhos da mesma forma, você poderá ter várias pessoas batizadas com apenas 3 ou 4 nomes distintos e o mesmo sobrenome.

É possível que em determinado núcleo familiar um indivíduo tenha um avô, um tio, um primo e um sobrinho com seu mesmo nome. E talvez até um filho.

Para evitar erros, tente conseguir o maior número de informações sobre cada indivíduo e, se achar prudente, aguarde para inserir determinada pessoa na sua árvore. Deixe o registro em separado em algum dos seus arquivos, até descobrir seu devido lugar.

Será que o padrão de repetição de nomes pode ajudar?

Sim! E digo mais: qualquer característica (interessante ou irritante) da pesquisa genealógica pode e deve ser utilizada em nosso favor.

Vamos a um estudo de caso da família do meu (quase famoso) bisavô Isidoro Catto.

Os rabiscos ajudam

Produzindo essa imagem para o artigo me trouxe mais indicações e conclusões, além das que eu já havia obtido. Faça isso com os seus. Vou fazer com outros casais da minha árvore.

Dito isso, vamos primeiramente aos óbvios:

Francisco: o terceiro filho homem recebeu o nome do avô materno.

Regina: a segunda filha mulher recebeu o nome da avó paterna.

Catarina: a terceira filha mulher recebeu o nome da avó materna.

Angelo: por que o primeiro filho homem recebeu este nome? De onde ele veio? A resposta veio de uma informação que recebi recentemente. Davidde, morreu alguns meses antes do nascimento de Isidoro e Regina se casou de novo. Com quem? Um homem chamado Angelo. Devo ainda acrescentar que o nome completo do primeiro filho do Isidoro era Angelo Davidde Catto, assim grafado apenas no registro eclesiástico. Ou seja, ele homenageou tanto o pai de criação, com quem teve mais contato, quando o pai biológico.

José (Giuseppe): o nome do segundo filho homem pode ser em homenagem a Giuseppe Antoniazzi, irmão de Erminia (que não aparece na árvore). Este, por sua vez, certamente o recebeu em homenagem ao seu avô paterno; era o único filho do sexo masculino do casal Francesco e Catterina. Há ainda a possibilidade (bem remota) de o nome ter vindo do pai de Regina, que ainda não consegui verificar se seria Giovanni e/ou Giuseppe. A regrinha que mencionei acima não diz que os avôs eram homenageados, mas é algo que podemos considerar. Se não houvesse Giuseppe no lado Antoniazzi, eu poderia dar mais peso a este nome para o pai de Regina.

Agostinho: o nome do terceiro filho homem (falecido com pouco mais de 1 ano) e do quarto filho homem pode ter apenas origem devocional. Ou … pode ser em homenagem a um dos filhos do primeiro casamento do Angelo, segundo marido de Regina. Seria um irmão de criação do Isidoro.

Ana Maria: a primeira filha mulher pode ser até uma homenagem múltipla. Maria era a irmã mais velha de Ermínia. Ana e Mariana eram a filhas do primeiro da casamento do Angelo. E ainda há a mãe de Regina, que ainda não consegui confirmar se ela se chamava Maria e/ou Lucia.

Antonio: o nome do sexto filho homem (meu avô) pode ser em referência ao avô de Ermínia, mas não creio. Não há sequer um Antonio entre os descendentes dos Antoniazzi, a não seu meu avô.

Tenho a informação de que Davidde e Regina tiveram outros dois filhos antes do Isidoro, mas que faleceram em algum momento antes da vinda para o Brasil. Sendo assim, estes podem também ter sido homenageados.

Então posso acrescentar pessoas à minha árvore genealógica baseada apenas no padrão de repetição de nomes?

NÃO! DE JEITO NENHUM! Nunca “crie” um indivíduo baseado em suposições. Estas indicações apenas podem servir de foco de pesquisa quando temos dificuldades com ancestrais fins-de-linha.

Dentro de alguns meses espero conseguir mais documentos do lado Catto dessa família. Certamente contarei tudo a vocês.


Você também já observou alguma repetição de nomes na sua árvore genealógica? Esse post te ajudou? Precisa de mais auxílio? Deixe um comentário ou mande um email para genealogizandocomtati@gmail.com.

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